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Elitização da Segurança

Quanto mais etapas para serem concluídas, mais dificuldade temos para alcançar algo. Isso é tão natural quanto a chuva e ainda assim é de difícil entendimento por muitas pessoas. A quantidade de requisitos, ou seja, de condições postas para definir se algo é possível ou não, é diretamente proporcional à dificuldade que este algo será de fato concretizado.

 

Quando falamos em liberdade de acesso às armas e direito de legítima defesa que será o foco do presente texto, é comum assistirmos alguns requisitos surgirem junto com estes dois temas como visando um filtro de quem poderá exercer ambos. É preciso tomar cuidado pois a sensação de se criar requisitos, de criar condições para exercer estes dois conceitos definitivamente não facilita o seu acesso e seu uso, pelo contrário, dificulta.

 

Se o requisito proposto é legítimo, justo ou atrapalha mais do que ajuda é um outro assunto e discordâncias da forma e do conteúdo surgem também naturalmente, mas o fato é apenas um: quanto mais requisito, maior dificuldade. É a lei da inevitabilidade agindo: ação e reação, causa e efeito. Portanto, é preciso tomar cuidado com as preocupações em garantirmos que pessoas boas tenham a liberdade de acesso às armas e seu direito de legítima defesa garantido e respeitado através da criação de etapas para exercer estes dois temas em suas vidas, pois como já explicado, a ação natural  de exigir requisitos gera a reação natural de ser preciso concluir mais etapas para conseguir o desejado. Causalidade.

 

E por enquanto estamos falando de preocupações que consideramos legítimas, mesmo que podendo ser debatidas devido a discordâncias, mas ainda legítimas e honestas. Se inserirmos neste debate os requisitos ilegítimos (aqueles completamente tirânicos e imorais, sem sentido algum), os anti-científicos assim como aqueles completamente ideológicos que servem notoriamente apenas para controlar e mitigar o máximo possível a população de exercer essa liberdade e esse direito, nós temos uma dificuldade constante, autoritária e moralmente criminosa.

 

Para piorar nossa situação, os requisitos legais para dificultar a população de se armar e de se defender da criminalidade não são a única forma de exercer esse controle e redução de pessoas se armando. Nós temos os impostos, que apesar de não ser uma etapa para o interessado no tema poder concluir para ter o que deseja, é uma característica que dificulta, afinal, quanto mais imposto o Estado empurra na indústria, esta repassa para a loja que por sua vez repassa para o consumidor final: o cidadão. Agora o acesso ao armamento está com muitos requisitos e caro.

 

Se meu desejo como Estado é dificultar o acesso ao armamento, já tenho muitas etapas e impostos. Adiciono uma legislação tributária complexa e constantemente enrolada e alterada para dificultar ainda mais esse acesso em uma visão macro e nestes requisitos serão adicionados parâmetros repetitivos e de difícil entendimento, com pouca ou quase nenhum esclarecimento a respeito dos trâmites necessários para passar por estas etapas. Agora o acesso ao armamento está cheio de requisitos, caro e burocrático.

 

Com uma pitada de cultura e educação controlada pelo establishment político eu também consigo dificultar a informação verídica e imparcial sobre o armamento de ser transmitida e fomentada, e crio mentiras, informações ocultadas e fomento o medo sobre o tema apelando de todas as formas possíveis, do jornal a sala de aula, os perigos – e somente perigos – com muita carga de demagogia para que as pessoas ao longo do tempo, especialmente as que não tem contato com o mundo do tiro, criem medo e vejam o armamento como algo ruim, e não como exercício da liberdade.

 

Agora a liberdade de acesso às armas e direito de legítima defesa, além de burocráticos, demorados, caros, confusos, desencorajados, também estão demonizados.

 

Considerando aqueles que enfrentam tudo isso e conseguem ultrapassar todas essas barreiras para fazer valer sua liberdade e seus direitos, no sentido das armas nós temos outro problema que é o mercado. Para se ter mais opções tanto de modelos quanto de marcas, o processo se torna caro, confuso e burocrático em triplo, pois é preciso apelar para novos requisitos ainda mais complexos para realizar importações. E no sentido da defesa, criamos um sistema penal completamente falho, fraco, com atitudes naturais enfrentamento do perigo iminente repudiadas como se fossem atos monstruosos e se assim agir, ficará tudo mais caro e burocrático e caóticamente incerto perante a justiça. A fórmula do incentivo à covardia está completa. É difícil exercer a liberdade e se a exercer para defender a sua vida, você será tratado como um monstro.

E se você não tiver tempo para estudar, dar entrada e concluir todos esses requisitos? Se não tiver dinheiro para pagar pra alguém fazer? Você não tem liberdade e muito menos segurança.

 

Essa dificuldade, essas incertezas jurídicas, essa falta de amparo educacional, o medo cultural fomentado sistematicamente para condicionar a população a não defender suas próprias vidas e liberdade, essa burocracia que te atrapalha e segrega o povo em classes fomentando sentimentos de inveja, revolta e revanchismo. É criada a sensação de que a arma é uma ferramenta apenas para um grupo altamente selecionado de pessoas, que passaram por todo esse processo descrito acima.

 

Se requisitos para se ter armas fossem garantia de melhor seleção e filtro para quem pode ter e portar armas, como nosso país repleto desses requisitos e filtros nos dão altas taxas de criminalidade e países com menos ou quase nada de nossos requisitos possuem essas mesmas taxas muito mais baixas?

Este é o fenômeno da elitização da segurança, que deve ser combatido até sua completa eliminação de nosso país e nossa cultura.

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