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Manual Completo sobre Facas

Hoje, vamos trazer para vocês um “manual” completo sobre facas. Independente se você já admira e conhece sobre facas ou se é apenas leigo que compra esses produtos apenas pela estética. Aqui você saberá as denominações corretas para cada peça da faca, assim como diferentes modos de posição, material, construção e muito mais.

Separamos em alguns tópicos específicos, como Anatomia da faca (inferior e superior), tipos de pegadas e como é o processo de desenvolvimento de uma faca, deixando você preparado e pronto para nunca mais esquecer ou confundir alguma peça com outra.

Anatomia da faca – parte inferior (cabo)

Cabo: A parte que se coloca a mão, que se pega, também chamada de empunhadura. Quando se fala “cabo”, podemos entender que é onde seguramos, mas tecnicamente é o nome dado a todo o conjunto ali presente.

Coronha/Pomo: extremidade inferior da faca. Pode ser lisa ou conter pontas ou outras protuberâncias que possuem a finalidade de causar mais dano em pancadas como “bolas”, ou uma forma plana, quadrada por exemplo, para servir de martelo. É a bundinha da faca.

Espiga: É o corpo do metal da lâmina que vem por dentro do cabo. Facas “full tang” para quem já leu o termo em inglês. É como se fosse uma peça única, onde um pedaço é largo e afiado (lâmina) e o outro mais estreito e fino que fica dentro do cabo.

Cravo/Rebite são pinos de metal fincados em furos que seguram as talas na espiga. Facas que não tem espiga podem ter suas talas fixadas no “esqueleto” (estrutura), como canivetes retráteis.

Furo para corda: para inserir cabos ou linhas para pendurar ou carregar a faca. A criatividade pode ser usada para usar o furo para outros fins, como servir de recipiente para alguma vareta que precisa ficar em pé ou envolver para entortá-la.

Tala: parte lateral do cabo geralmente feito de madeira ou polímero, que gera ergonomia para a empunhadura.

Gavião: Sua função é muito parecida com a da guarda. É uma extensão da lâmina que protege a mão do cabo para que ela não escorregue pra lâmina, e ergonomicamente tem um sutil encaixe para o dedo indicador. Geralmente facas de churrasco são assim. Nunca consegui descobrir a origem desse nome. Alguns cuteleiros e literaturas estrangeiras chamam de “choil”.

Reforço: algumas facas possuem um reforço logo abaixo da “guarda”. Em facas de melhor qualidade é feito de metal (as vagabundas têm plástico para sustentação) e ajuda a fixar melhor todo o conjunto ao cabo. Dependendo de como é construído confere um “tchan” a mais na estética da faca, diferenciado-a.

Guarda: hastes ou placas que separam a lâmina do cabo. Sua função é evitar que sua mão escorregue para a lâmina e se corte, ou que outra lâmina escorregue até sua mão no caso de um combate e atrito entre duas (e ainda assim dá pra cortar, mas isso vemos outra hora).

Anatomia da faca – parte superior (corpo)

Corpo: é a parte superior da faca, acima da guarda, onde temos várias partes que possuem suas respectivas funções.

Ricasso: é uma pequena fração de toda a extensão do corpo que sai da guarda e começa a montar o corpo da faca, antes de ser afiada. Esta parte não corta pois não faz parte da lâmina.

Jumping ou Bolster: acima da guarda, um pedaço do corpo com pequenas ranhuras para dar aderência ao polegar, pois algumas pessoas empunham a faca com o polegar esticado no dorso da faca. O bolster ajuda nessa função dando mais firmeza.

Desbaste: área onde se afina o materialem um determinado ângulo. No fim do desbaste encontraremos o fio, que recebe um tratamento mais delicado para aumentar sua eficácia no corte. Também pode influenciar na estética adicionando desenhos e formatos interessantes dependendo da criatividade do cuteleiro, que deverá também ter cuidado pra não comprometer a resistência de todo o corpo da faca.

Mosca/Sangria: reduzir um pouco o peso da faca sem comprometer sua estrutura e ajuda a movimentar ar dentro dos corpos (madeira, carne, etc) em penetrações fundas demais que naturalmente farão a faca “agarrar”. Também pode-se brincar com essa parte parar gerar um apelo visual melhor.

Gume ou Lâmina: é a parte final do desbaste que recebe um trabalho mais dedicado a aumentar seu poder de corte. Nesse pequeno espaço usa-se várias técnicas e ângulos para atingir o objetivo que é ter a certeza de um bom corte no material que se deseja usar a faca.

Dorso, Espinha ou Contra-gume: é a parte de trás da faca. Basicamente é sua “costa.” Quando temos uma faca de 2 gumes, obviamente ela não tem “costas”, então a parte central que é a mais grossa do corpo se chama “Espinha”.

Fio: mesma coisa que gume. Achou que era diferente né? hehe! Né não, mesma coisa.

Fio falso: Já viu aquelas facas que na ponta tem um pedaço atrás, geralmente curvado de leve, mas que não corta? Então, essas partes são os fio-falsos. Elas auxiliam na penetração fazendo a ponta ser mais esticada, e dão uma aparência bem de “faca de combate” dependendo de como são feitas.

Ponta ou Bico: é literalmente a ponta, o extremo do corpo.

Considerações:

Estocada: é perfurar, furar. É o ato de furar.

Corte: é o ato de deslizar o fio sob uma superfície, aplicando alguma força (pressão) para que essa superfície seja cortada.

Saque: é o ato de tirar a faca da bainha.

Bainha: compartimento de tecido ou plástico cuja função é guardar a faca, protegendo a própria e portador.

Pegada picador de gelo: corpo para baixo da sua mão com o fio para frente, mas também admite-se o fio para dentro. É como se estivesse batendo de cima para baixo (pois pode-se usar essa pegada em outros movimentos). Imagine aquelas estacas usadas por alpinistas em montanhas e no gelo ou alguém que queira quebrar uma garrafa pet congelada transformando-a em pedaços menores de gelo, é daí que surgiu o nome pois a pegada é a mesma.

Pegada martelo: é a forma mais comum de segurar e usar a faca, é como se pega um martelo, com a lâmina pra cima e para sua frente. Nesta pegada existem muitas variantes de acordo com a forma em que posiciona seu polegar e seu indicador, recebendo diversos nomes ao redor do mundo, como “pinch grip”, “indicador a frente” ou “cozinheiro”. Essas variações são úteis conforme sua maneira de usar a faca em atividades de culinária ou que exijam controle delicado do corte. Para combate e tarefas robustas, usa-se a mão fechada como se tivesse tentando formar um punho serrado para dar um soco.

Pegada sabre: é quando o polegar fica no bolster da faca (veja na outra foto o que é bolster). Muitas variações da pegada martelo que foram citadas acima na verdade podem ser englobadas também em saber, pois usam o polegar na espinha ou dorso da faca. A vantagem é maior pressão em corte pela força do polegar sendo adicionada ao movimento, a desvantagem é que você tem uma abertura entre os dedos que enfraquece a “pegada”.

Essas são as 3 empunhaduras genéricas. Existem variações como uma martelo com o polegar no pomo, com o indicador dentro de um anel construindo no lugar do Gavião/Choil, com o dedinho mindinho em um anel como no caso de Karambits na pegada martelo, ou com o indicador se inverter e usar como picador de gelo. Enfim, cada região, cada sensei, cada instrutor, cada um chama de um jeito.

Como funciona a construção de uma faca

Cuteleiro: pessoa que se dedica a arte e/ou profissão da cutelaria, ciência de construção de ferramentas predominantemente voltadas ao corte, construção de lâminas.

Desenho: rascunho para materializar suas idéias e abstrair novas. Te dará noção real da faca.

Matéria-prima : metal para a lâmina, madeira para o cabo e tudo mais que precisar conforme seu desenho e necessidade.

Ferramentas: martelo, forja, óleos, furadeira, lixadeira, bigorna… Tudo o que for necessário para seu projeto.

Local: use um que possa cair algo no chão e arranhar o piso, com espaço para se movimentar em segurança e seja bem iluminado caso faça a noite.

Forja a frio: tecnicamente o nome é errado, mas serve para nos dar a idéia de que não teve as etapas de tratamento térmico. Muito comum para facas de decoração já que esse tratamento é essencial para um bom produto final. A exceção a essa regra é se encontrar um pedaço de aço que já tenha sido tratado, então você simplesmente desenha e mete bala!

Forja: mais trabalhoso porém confere um resultado muito melhor. Cuidados devem ser tomados com a sua segurança e material também. Procedimentos errados podem causar microfissuras no metal (rachaduras pequenas) e até mesmo estragá-lo, você perderá material e tempo.

Tempera: é o processo de esquentar a peça e resfriá-la o mais rápido possível. É o famoso “tira do fogo e joga na água”. Só que nesse caso não é água como vemos em filmes mas óleo específico. Há relatos de civilizações que já usaram água pra essa etapa, mas isso é assunto pra outra hora.. A tempera serve para aumentar sua dureza.

Revenimento: vem depois da tempera e consiste em aquecer o metal em uma temperatura abaixo da crítica. Serve para ajustar a dureza para sua função e aumentar a tenacidade (capacidade de se deformar sem se romper: entorta mas não quebra).

Existem vários tratamentos térmicos como cementação e envelhecimento, recozimento e normalização. Mas não vamos entrar neles pois não é nosso objetivo formar cuteleiros.

Acabamento: desenhar o cabo, a estética, bainha, passar óleos na madeira… Uma gama de opções que serão nessa etapa definidas mais pela criatividade do cuteleiro e se desenho.

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