Liberdade, Disciplina e respeito

Mortes Preveníveis em Combate

Dentro do contexto de defesa, operadores conhecem e lutam para evitar um fenômeno chamado de morte prevenível/evitável.

Com um nome bem objetivo, fica fácil de explicar: são chamadas assim todas as mortes que poderiam facilmente ser evitadas com um treinamento mínimo e/ou com pouco emprego de recursos (materiais, humanos). Representam um número expressivo das mortes em combate (englobando também as mortes em combate militar).

A existência desses tipos de baixas em nossos cenários de defesa – policial, familiar, urbana – denuncia a falta e a carência em treinamento no chamado APH: Atendimento Pré-Hospitalar. Embora esta matéria esteja em alta no cenário atual, ainda observamos diversas mortes evitáveis em ocorrências urbanas, até mesmo com agentes de segurança pública.

O propósito deste artigo é chamar a atenção para essa carência e motivar os leitores a investirem tempo nessas matérias, uma vez que estamos permanentemente sujeitos a sofrer acidentes. 

Hemorragia

Falando sobre a mais comum, que representa cerca de 60% das mortes evitáveis em combate, citamos a hemorragia, ou seja: o sangramento massivo. É a primeira etapa de verificação em um atendimento médico a vítimas de combate, devido à sua alta capacidade de levar à perda de consciência e, na pior das hipóteses, à morte. É capaz de causar óbito em menos de 5 minutos, a depender do local atingido.

Como forma de combater o sangramento em perfurações/amputações nos membros, foram desenvolvidos alguns itens para frear e parar o vazamento de sangue, e citarei alguns ao longo desse texto.

Torniquetes: ferramentas pequenas, leves, relativamente baratas e que causam a diferença entre vida e morte. Contam com um tempo de aplicação de menos de 01 minuto e, em análises de campo, reduziram significativamente as mortes por hemorragia em membros. Vale frisar que não é utilizado somente para perfurações por arma de fogo: pode ser perfeitamente empregado em amputações traumáticas como, por exemplo, acidentes automobilísticos ou em ambiente de trabalho. Citamos até acidentes domésticos com facas e tesouras.

Aproveitando o ensejo, lembramos que torniquetes NÃO podem ser improvisados. Caso não existam ferramentas alternativas, é indicado realizar pressão direta sobre o ferimento! E, obviamente, também não deve-se utilizar torniquetes que não sejam originais em ferimentos reais.

Quando o ferimento ocorre em áreas onde não é possível a utilização de um torniquete (áreas juncionais, por exemplo: axilas, ombros, virilha), indica-se a utilização de gaze de combate. São indicadas para a realização de preenchimentos nas áreas atingidas. Podem ser embebidas, de fábrica, com agentes hemostáticos: substâncias que, de grosso modo, auxiliam a cessar o sangramento, através da aceleração da coagulação. Geralmente vêm embaladas a vácuo em pequenas embalagens e têm tamanhos consideravelmente grandes, quando esticadas.

Pneumotórax

Sendo a segunda causa mais comum de mortes em combate, o pneumotórax ocorre quando há uma perfuração no tórax, causando a entrada de ar atmosférico na caixa torácica. Consequentemente, o pulmão perde a capacidade de realizar a movimentação necessária durante a respiração, fazendo com que a pessoa perca a capacidade de respirar. Com o tempo, a vítima da perfuração acaba sufocando. Tendo esses fatos em vista, foi desenvolvida a ferramenta conhecida como selo de tórax ou, em inglês: chest seal. Este produto funciona impedindo a entrada de ar atmosférico e, simultaneamente, possibilitando a saída do ar. Bem compacto, é um item indispensável para situações de combate e/ou defesa urbana. 

A terceira causa mais comum de morte em combate é por danos/obstruções às vias aéreas, onde o atendimento pode se tornar um pouco mais complicado e trabalhoso.

O propósito deste artigo é trazer à tona como uma porcentagem gigante das mortes preveníveis em confrontos podem ser evitadas com ferramentas pequenas, leves e relativamente baratas. No contexto da DEFCOM, uma comunidade de defesa, a intenção é mostrar como podemos voltar vivos para casa, observando que, em média, 90% das mortes ocorrem antes do socorro médico chegar ao local da ocorrência. Vale também apontar que a matéria APH é mais complexa e profunda do que mostrado nesse artigo, que visa apenas mostrar que ainda há um número alto de mortes que poderiam ter sido evitadas com um atendimento relativamente simples e rápido.

Treinemos e treinemos, até que cordeiros se tornem leões.

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