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O que é Grey Man, Hard Target, Soft Target e Mad Dog

Algumas pessoas preferem passar despercebidas enquanto outras se arriscam, mas será que existe algum melhor?

Esse debate é antigo e provavelmente nunca terá fim, apesar da resposta final ser contraditória e complexa, uma vez que simpatizantes de uma postura ou de outra reconhecem suas vantagens e desvantagens naturais e em relação umas às outras.

A seguir daremos um ponto de vista simples e rápido sobre características de 4 posturas comuns que utilizo nos meus estudos sobre a atuação criminosa e defesa pessoal.

Soft Target

Termo pouco utilizado, mas é a postura mais comum à nossa volta. Talvez sua insignificância seja o motivo do termo ser pouco conhecido.

Falamos com certeza sobre a “pessoa comum”, “homem médio”, “só mais um”, “um aleatório qualquer”. Enfim, o Soft Target é um alvo sem defesa ou com pouca capacidade de reação para aquilo que exerce.

Por diversos motivos essa defesa não existe e o exemplo mais comum é uma pessoa média indo para seu trabalho comum. Sua atividade não exige armamento pesado, contra-inteligência, estudo de rota, comunicação, etc.

A pessoa média não está preocupada com uma emboscada, ela está preocupada com o atraso do ônibus ou com a gasolina do carro que está bebendo demais e ela precisa dar um jeito nisso pra parar de gastar tanto com combustível.

Como é de se esperar, se confrontado, o Soft Target é o alvo mais fácil que existe de julgar como “indefeso”.

Porém, existe a possibilidade do desespero inesperado fazer com que uma pessoa completamente despreparada física e mentalmente partir para o confronto e às vezes até pode ser uma pessoa com certa habilidade combativa, mas sem compará-lo à alguém que treina diariamente para ameaças, assim como outras posturas que veremos adiante.

A vantagem de um Soft Target é involuntária e compartilha das mesmas características da simulação do Grey Man. Por ser um alvo de perfil médio, ou seja, “nem fede e nem cheira”, chama pouca atenção pois é “só mais um”.

A diferença para o Gray Man é a consciência.

O Gray Man sabe o que faz, tem noção de qual posição se encontra, do mundo a sua volta e como deve se comportar perante situações, principalmente as adversidades, já o Soft Target não tem a menor ideia de que ele é um Soft Target.

O GM (gray man) entra na simulação de forma consciente, ele se mistura a todas as outras pessoas médias (outros ST) de propósito, já o ST (soft target) não faz a menor ideia de que pode usar de forma intencional o ambiente a sua volta  ao seu favor, pois ele está preocupado se esqueceu a marmita em casa.

Uma observação precisa ser feita para que não se pense equivocadamente que um GM não almoce, não trabalhe, não pegue ônibus nem que tenha o carburador do carro sujo, fazendo-o consumir mais gasolina do que deveria.

Não é isso. A ideia aqui apresentada é para ilustrar a diferença de mentalidade entre uma pessoa média, onde as preocupações são mais comuns possíveis, sem ter a noção dos perigos que lhe rodeiam, enquanto o GM já tem consciência desses perigos.

A falta desse preparo mental faz a pessoa média se tornar um alvo fraco.

Hard Target

Assim como existem alvos fáceis, também existem aqueles que serão difíceis de serem atacados. Para a postura individual, a força é um ponto chave ao invés da camuflagem e por isso a preferência é trabalhar em equipe.

Suporte, etapa de combate encenação, confiança, moral elevada, essas são características de um Hard Target, criando a ideia de gerar resistência enquanto perde-se camuflagem, que nada mais é do que passar despercebido na multidão, onde essa é a principal arma do Gray Man que veremos a seguir, postura inversa ao HT (hard target) que visa garantir camuflagem, mas acaba perdendo a capacidade de resistir.

Um Hard Target é menos atrativo, pois possui alta capacidade de defesa, usado para isso todos os meios necessários e disponíveis, muitas vezes sem a menor preocupação de esconder essa capacidade, mas também muitas vezes de forma velada.

Um exemplo muito comum de HT é o Policial Militar, já o Gray Man é um Policial Civil. O estereótipo de um te faz ter a certeza que você terá resistência se o enfrentar, já o outro te deixa em dúvida.

Uma das desvantagens é que por diversas vezes, bases militares que são os exemplos mais comuns de HT, perdem uma boa vantagem é o fator surpresa.

Isso faz com que a sua identificação seja muito mais rápida. Se o objetivo do criminoso for usufruir dos itens roubados, sem dúvida este alvo não é nem um pouco interessante.

A exceção a essa regras é quando esse item que está lá dentro não seja o tipo de produto desejado por um criminoso comum, como veículo, dinheiro, entre outros que não vale o risco, sendo útil apenas para grupos específicos que estão fora do tipo de bandidos comuns.

Quando conhecemos sobre Vitimologia, vertente da ciência Criminologia que foca na vítima e suas particularidades, podemos chamar um Hard Target de “low risk victims”, ou em tradução livre “vítima de baixo risco”, ou seja, não são a preferência de bandidos e por isso tem poucas chances de se tornarem vítimas.

Agora, como a exceção mencionada acima de indivíduos fora do escopo de bandidos comuns, podem existir por diversos motivos meliantes que sabem da capacidade de defesa de um HT e inserem isso em seu planejamento, atacando assim mesmo, pois provavelmente a recompensa por trás vale muito mais que o risco, além de que sempre haverá alguém que pague e alguém que aceite o contrato.

Esse é o perfil dos “bounty hunters” ou “caçadores de recompensas” e para eles os HT são mais visados pela exposição que facilita a abordagem, observação e estudo.

Para alvos militares em guerras convencionais ou até contra rebeliões e confrontos irregulares com tropas revolucionárias e/ou paramilitares, diferente do Soft Target que é um alvo sem a devida proteção no seu dia-a-dia, no sentido de seus administradores terem a noção da necessidade de proteção, portanto, em conflitos desse tipo, esses alvos são aqueles que uma resistência feroz já é esperada em caso de enfrentamento.

Essa postura também muda as negociações, pois a tendência natural é que se tornem mais exigentes, sendo que o Hard Target não tem que ceder tão facilmente o que a outra parte deseja, pois pode proteger e lutar para convencê-la da troca ou dominância externa em caso de derrota.

Assim como Soft Target que são alvos com menos proteção, veio do meio militar para definir alvos muito protegidos.

Por ser fácil de ser identificado, dificilmente poderá usar o conceito de “camuflagem” para ficar invisível, sendo identificado facilmente.

Para aproximação, deve-se atacar da forma mais brutal ou sorrateira possível, tirando as chances de reação. A ideia aqui é não deixar ou tentar o máximo possível para não deixar que o Hard Target consiga lutar, senão vai entender da pior forma o porquê é chamado assim.

Gray Man

É possível praticar esse conceito em grupos, mas naturalmente quanto mais gente, maior é a chance de um deslize que fará a exposição do indivíduo ou do próprio grupo virem com força total.

Portanto, a preferência é sozinho. Enorme facilidade em driblar resistência, atuar com logística, rápida tomada de decisão e comunicação simplificada uma vez que age sozinho, portanto, não precisa do aval nem da resposta ou confirmação de terceiros.

Justamente por parecer comum para não chamar atenção, é considerado na teoria um Soft Target. Para parecer normal precisa abrir mão de muitos objetivos e comportamentos e isso acaba gerando uma baixa capacidade de defesa.

Sua força está em dificultar ameaças de chegarem à sua porta e com isso arrisca-se na simulação. Alternativas para se tornar camuflado e capaz de resistir simultaneamente existem, ou seja, há maneira de equilibrar o poder de reagir em defesa pela capacidade nítida de se defender através da invisibilidade.

Por isso, quem sabe o que é um Gray Man, sabe automaticamente que o mesmo não pode ser subestimado.

Um elemento muito forte nessa postura é o fator surpresa. Por se priorizar a camuflagem na multidão ou ao ambiente a sua volta, todo indivíduo ou objeto que use o conceito de invisibilidade, dispõe da sua identificação para se tornar mais difícil.

Isso é uma defesa extraordinária pois não é possível capturar, assediar – pois essa tática também é usada no mundo dos negócios – ou eliminar um alvo que não sabemos onde está nem como acertar.

Então aqui o ideal é esconder o maior número possível de informações que podem ser usadas contra você e chamar menos atenção possível.

Na hipótese de usar armamentos, tem uma desvantagem. Por precisar “passar batido”, não é possível carregar muita coisa para usar em um combate, apesar de termos hoje opções de fácil ocultamento, como armas curtas e facas.

Na criminologia, são “high risk victims”, ou seja, são vítimas em potencial pois exatamente sua maior arma é sua maior fraqueza, e Soft Targets são os alvos prediletos dos bandidos. A questão aqui é que o bandido não saberá que na verdade você não é só mais um, de fato. É apenas um especial que parece ser apenas mais um.

No “bounty hunter” são menos visados, pois são difíceis de serem rastreados. Entretanto, caso o contrato exija um alvo cinza, é bem provável que essa postura faça o preço do serviço aumentar naturalmente pela dificuldade de ser encontrado.

Não é necessária muita força e energia para dominar um Gray Man, desde que o mesmo seja identificado. Se a camuflagem falhar e for identificado, é uma presa fácil (se souber o que está fazendo, claro).

Prédios (construções em geral) podem ser disfarçados para diminuírem sua exposição usando artifícios de arquitetura ambiente, ou seja, tem as mesmas características dos demais edifícios em sua volta, como oficina de carros com subsolo, escritórios em centros comerciais, galpões iguais aos de depósito de bebida, porém, do lado de dentro, existe uma forte capacidade de defesa em caso de confronto.

O mesmo acontece com a pessoa. Um Gray Man abrirá mão, obviamente, de muitas ferramentas que dariam a ele maior capacidade de reação caso seja atacado, como um carro super potente que se destaca no trânsito ou armas longas que de jeito nenhum passariam despercebidas pelo público, mas mesmo assim, até um Gray Man pode oferecer como último recurso, quando sua maior defesa que é a simulação falhar, alguma resistência combativa, e o maior exemplo disso no cenário brasileiro é uma arma curta que esteja velada.

Mad Dog

Essa postura geralmente é individual no sentido literal da palavra. Um Mad Dog é um agente imprevisível. Difícil de prever quando identificado, pois facilmente se adapta perante desafios e suas ações são fora de padrão.

Dias ele está calmo, dias ele está com enorme predisposição à violência, no outro ele não responde provocações, já em outro ele responde de forma exagerada e com isso, inesperada…

Por serem imprevisíveis, fica difícil saber em que grau de risco que a vítima se encontra, pois não há padrão em suas ações, ainda mais por terem noção de que em cada tipo de ambiente é preciso adotar um comportamento.

Talvez esse nivelamento seja possível observando seu dia a dia ou outras rotinas comuns.

Por ser imprevisível, fica difícil de saber se é um alvo fácil ou difícil de ser confrontado por si só, sendo levado em consideração o ambiente em que se encontra, como uma festa de casamento ou no meio da rua, podendo adaptar suas reações, assim como a ocultação de armas, onde é necessário observar para ter ideia do seu poder de reação.

Em uma casa, por exemplo, é possível que atenda com educação ou com violência e caso decida por esta, este local nos dá boa chance de reação exagerada. A recomendação de aproximação e abordagem deste perfil é sempre esperar o pior cenário.

Não é o perfil de pessoa que apesar da grande capacidade de adaptação, desejável para muitas funções e interações sociais. A adaptação é para vencer desafios postos a frente, não para socializar harmonicamente todo santo dia.

Esse perfil tem dificuldade em trabalhos comuns e constantes e é uma pessoa muitas vezes incompreensível pois tudo é intenso, da tristeza passando pela revolta até sua determinação.

Podemos dizer que é o popular “pessoa difícil de lidar”. Essa postura difícil é sua fraqueza comum no mundo convencional e “civilizado”, mas é sem dúvida uma de suas maiores forças em atuações solitárias que demandam grande capacidade de foco e independência.

“Death before disonor” é a postura combativa de um Mad Dog, mas sua capacidade de adaptação pode facilmente abrir mão desta postura caso necessário.

Geralmente um Mad Dog tem ideais próprios construídos em bases muito firmes, lutando pelo o que acredita até com sua própria vida. Será o mais “cansativo” de se capturar pois via de regra não gera espaço para negociação.

Ele é como um rato acuado, apesar das lendas populares e do já imaginado, nunca sabemos de fato se ele ficará parado prestando atenção em nós (negociação), se sairá correndo (evasão) ou se partirá pra cima para nos morder mesmo que sejamos maiores e mais fortes (combate).

Mesmo assim, por ser imprevisível, mais uma vez, não podemos descartar a hipótese de conseguirmos traçar e prever suas ações. Essa imprevisibilidade é a força do Mad Dog e sempre respinga dificuldade e cansaço em quem tenta manipulá-lo de qualquer forma, política, comercial ou combativa.

Talvez a única coisa previsível seja que lá no fundo, nunca saberemos com certeza o que um “cachorro louco” fará como próximo passo no xadrez ou como vai reagir mediante provocação ou uma simples interação banal como receber um “bom dia família!”.

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